Quando jejuarem, unjam a cabeça com óleo: o ensino de Jesus em Mateus 6
O verdadeiro sentido das palavras de Jesus.
ESTUDO BÍBLICO📖CURIOSIDADES🧐


Você já parou para pensar por que Jesus orienta: “quando jejuarem, unjam a cabeça com óleo”?
Há quem entenda essa recomendação de forma literal e, por isso, utilize durante o jejum o chamado “óleo de unção”, comum em algumas práticas contemporâneas.
No entanto, essa leitura desconsidera o contexto histórico, cultural e literário do texto.
O uso do óleo no mundo bíblico
No mundo antigo, especialmente em Israel, o azeite de oliva era amplamente utilizado para cuidados pessoais. Aplicava-se óleo perfumado sobre a pele e o cabelo como forma de higiene, bem-estar e boa aparência, já que cabelo e pele ficavam perfumados e com aspecto saudável.
Ungir a cabeça de um convidado, por exemplo, era um gesto de hospitalidade e honra em refeições formais, costume mencionado por Davi em Salmos 23.5 e lembrado por Jesus ao reprovar a falta dessa cortesia na casa de Simão (Lc 7.46). (GOWER)
Assim, o “óleo” ao qual Jesus se refere não é um elemento ritual ou litúrgico. Ou seja, não é o "óleo da unção".
Jejum, aparência e hipocrisia religiosa
Tradicionalmente, o jejum judaico era acompanhado de sinais externos de humilhação: pano de saco, cinzas, ausência de banho, por exemplo. Alguns fariseus exploravam esses costumes de forma teatral, tornando o jejum um espetáculo público com o objetivo de obter admiração humana. Jesus condena essa prática, pois revela uma motivação corrompida: buscavam reconhecimento social, e não um coração sincero diante de Deus (ARRINGTON).
Ao orientar que seus discípulos unjam a cabeça e lavem o rosto, Jesus vai na direção oposta dessa lógica farisaica. Ele ensina que a consagração verdadeira não precisa ser anunciada nem dramatizada.
A clareza da tradução e o sentido do ensino
A comparação entre diferentes versões bíblicas é uma ferramenta simples, mas extremamente eficaz para a boa compreensão do texto. Muitas dúvidas interpretativas são esclarecidas justamente quando observamos como uma mesma passagem é traduzida em versões distintas.
Essa ideia se torna ainda mais evidente na Nova Versão Internacional, que traduz Mateus 6.17 como: “Ao jejuar, arrume o cabelo e lave o rosto” (NVI).
Mesmo que não conheça inicialmente o contexto histórico, por essa versão já fica mais claro o sentido das palavras. A ênfase recai sobre a higiene pessoal e a aparência comum, não sobre o uso ritual de óleo associado ao altar ou à unção litúrgica.
Vale destacar que Jesus não condena os costumes tradicionais em si, mas sim a intenção hipócrita associada a eles. O problema não está no gesto externo, mas no coração que busca aplauso humano.
Aplicação para hoje
Hoje, o uso do óleo como cuidado cotidiano não faz parte da nossa cultura. No entanto, o ensinamento de Jesus continua válido: o jejum não exige sinais externos de sofrimento. A aparência durante o jejum deve ser a mesma de um dia comum, quando estamos nos alimentando normalmente.
O jejum é uma prática de devoção pessoal diante de Deus, não uma performance religiosa.
O Pai, que vê em secreto, conhece o sacrifício e responde segundo Sua vontade.
Amém. 🙏🏻
Se você tinha essa dúvida, ou conhece alguém que tenha entendido essa passagem de forma literal demais, compartilha este texto.
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Livros consultados:
ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal – Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2021.
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GOWER, Ralph. Novo Manual dos Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos. Rio de Janeiro: CPAD, 2021.
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Até a fé amadurece quando a gente aprende com consciência.